"Se Euclides da Cunha fosse vivo teria preferido
o Flamengo a Canudos
para contar a história do povo brasileiro".

Nélson Rodrigues

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

1895 - Pherusa, a síntese da história Rubro Negra.

Eu, como todo rubro-negro deveria ter a obrigação de saber - um pouco pelo menos - da história do Flamengo. Esse ano coloquei essa meta na minha vida, estou comprando livros e pesquisando na internet sobre o assunto. Pois bem, de primeira já começamos que uma bela história, que narra perfeitamente o que seria o Flamengo. E talvez possamos dizer, que a frase, nada no Flamengo é fácil, tudo tem que ser conquistado no heroísmo e na raça, nasce nessa primeira história.Vamos lá. No final do século passado, o principal e mais praticado esporte - principalmente no Rio de Janeiro - era o Remo. Muitas agremiações competiam nesse esporte, que na época era como o futebol de hoje. Os remadores eram os mais admirados, principalmente pelo porte atlético. E era nessa ocasião que apareciam as "Marias Marolas" (vamos chamar assim, eram como se fossem marias chuteiras de hoje), que viviam atrás dos remadores na praia do Flamengo. E percebendo isso, alguns jovens, que se reuniam frequentemente no famoso Restaurante Lamas, no Largo do Machado, tiveram a brilhante e abençoada ideia: "Vamos formar um grupo de regatas". Em setembro, José Agostinho Pereira da Cunha, junto com Mario Espínola, Augusto Silveira Lopes e Nestor de Barros, tomaram a primeira grande decisão. Comprar a primeira embarcação do Grupo de Regatas. A partir dai, a história ganha um ar de aventura.

Resolveram então comprar uma velha baleeira de cinco remos, que se encontrava em desuso numa casa na praia do Flamengo. A embarcação, porém, precisava ser consertada. Tiveram que leva-la para a antiga praia de Maria Angu, hoje conhecida como praia de Ramos, lá havia um armador local que se dispusera a consertar a baleeira. Batizada de Pherusa, em 6 de outubro ela foi lançada ao mar. A bordo estavam os jovens Nestor de Barros, Mario Espínola, José Felix da Cunha, Felisberto Laport, José Agostinho Pereira, Napoleão de Oliveira, Maurício Rodrigues Pereira e Joaquim Leovegildo dos Santos Bahia, eles partiram da Ponta do Caju em direção a praia do Flamengo. Pouco depois, o tempo vira e trazendo com ele fortes ventos resultando no naufrágio da embarcação. Vendo que a situação cada vez mais se complicava, e que poderiam de fato morrer, os tripulantes se agarram ao casco virado. Joaquim Bahia - para que aquela história que acabara de começar, não tivesse um fim prematuro e triste se lança na água e como um grande nadador vai buscar ajuda. No entanto, já com o tempo melhor, chega ao local uma lancha que levava passageiros que estavam na Igreja da Penha e reboca a Pherusa até a praça XV. A essa altura todos achavam que esse acidente havia uma vítima fatal: Joaquim Bahia. Porém, Bahia consegue nadar até a Ilha de Bom Jesus, e na 18ª circuscrição, comunica o ocorrido. Essa primeira história de raça, bravura e heroísmo, foi contada pelo Jornal do Commercio.

Pois bem. A saga continua, conseguiram que a Pherusa fosse consertada. Mas por irônia do destino, ela foi roubada. Provavelmente a arco-iris da época, amedrontada com o que estava por vir, tentara de maneira desonrosa acabar com o sonho daqueles jovens guerreiros. Que mesmo com o segundo golpe, não caíram e foram atrás e compraram a "nova" embarcação, chamada Etoile e rebatizada pelo grupo com o nome de Scyra. No dia 17 de novembro, visando concretizar o sonho. Marcaram na casa de Nestor de Barros, na Praia do Flamengo numero 22, a reunião de fundação do Grupo. Estavam presentes: José Agostinho Pereira da Cunha, Mario Espínola, Napoleão Coelho de Oliveira, José Maria Leitão da Cunha, Eduardo Sardinha, Carlos Sardinha, Desidério Guimarães, Maurício Rodrigues Pereira, George Leuzinger, Augusto Lopes da Silveira, José Augusto Chauréu e João de Almeida Lustosa, que elegeram Domingos Marques de Azevedo como Presidente, Francisco Lucci Colás como Vice-Presidente, Nestor de Barros como Secretário e Felisberto Cardoso Laport como Tesoureiro. Agora, um fato bastante curioso foi que o grupo resolveu que a data oficial de fundação seria 15 de novembro, devido ao feriado da Proclamação da Republica. Eles escolheram as cores azul e o ouro, em listras horizontais. E a sede seria ali mesmo, na casa do Nestor. Que posteriormente ficou conhecida como Republica da Paz e do Amor e onde os barcos seriam guardados. Outro fato curioso dessa história, é que o primeiro presidente do Flamengo, Domingos Marques de Azevedo, não fazia parte do grupo que idealizou o clube. Foi um cidadão que passava por acaso em frente ao local e curioso com a movimentação foi ver o que se tratava, quando ouviu a ideia, gostou na hora, e a abraçou.

Em 5 de dezembro, o Flamengo inscreve a Scyra e a equipe formada por José Félix, Mario Espínola, Maurício Rodrigues Pereira, Felisberto Laport e Nestor de Barros, na prova organizada pelo Grupo de Regatas Gragoatá. Porém a estréia foi desastrosa. Ainda muito amadores e deslumbrados, os remadores do Flamengo chegaram nessa prova com uma ressaca tremenda. O que levou a alguns dos remadores a passarem mal e vomitarem durante a prova. Depois do ocorrido, baixou nesses jovens um espirito de guerreiro, e então resolveram levar a sério as competições. Seria, logo a seguir, um período glorioso? Nem tanto. Durante os primeiros anos, o Flamengo deu uma de Vasco e só chegava em segundo lugar nas competições, com isso ficou conhecido como Clube do Bronze.

Em 1896, as cores do Flamengo foram mudadas de azul e ouro para vermelho e preto. Isso ocorre devido a dificuldade de achar o tecido, que era importado da inglaterra, e alem do mais a salinidade e o sol era uma mistura perfeita para desbotar as cores. Assim, o novo uniforme do Grupo do Flamengo, passa a ser em listras horizontais em preto e vermelho, distintivo no lado esquerdo, bermudas pretas e cinto branco. Começa o orgulho de ser rubro-negro.

Finalmente, em 05 de junho de 1898, a baleeira de dois remos Irerê, com Costa Ferreira, José Agostinho Pereira da Cunha e Raul Leitão da Cunha, consegue a primeira vitória do Remo rubro-negro. A partir daí, sim, começa um período glorioso para o remo do Flamengo. Que diga-se de passagem, perdura até hoje.

Estamos chegando ao fim dessa fase da história do nosso Mengão. Porém, façamos um adendo para outra história de heroísmo e bravura dos nossos guerreiros da Praia do Flamengo, 22. Como eu bem já disse, esse endereço era conhecido como Republica da Paz e do Amor. Era um lugar, digamos, não frequentado por pessoais de família. E para piorar, ficava ao lado de um colégio de freiras. Lógico que elas ficavam estarrecidas com as atitudes dos jovens da 22. E na primeira década do século XX, atinge o litoral do Rio de Janeiro uma grande ressaca. E essa catástrofe, inunda toda a região, as freirinhas ficam em apuros. E quem as socorrem? Sim eles, os remadores do Mengão. Seria mais um ato de heroísmo, só para começar a história. A sim, esse fato foi contado e noticiado pelos jornais da época.

Já emendando para o proximo post. Em 1902, o Flamengo muda seu nome de Grupo para Clube de Regatas do Flamengo. E a partir de 1912, começa uma nova fase com a criação do Departamento de Desportos Terrestres, visando o Futebol.

SRN
Viva o Flamengo!

Um comentário:

  1. No princípio, a primeira camisa (camiseta regata) era metade superior vermelho e metade inferior preto. Logo foi decidido criar as listras (quatro pretos e quatro vermelhos). O primeiro uniforme, curiosamente, tinha duas âncoras vermelhas entrelaçadas com bordado preto no contorno, no lado esquerdo, constratando com as listras douradas e azul (observe as cores contrastantes da primeira bandeira). Eis a historia do nosso Manto Sagrado.

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